A caixa de entrada do celular se tornou o principal ponto de contato entre brasileiros e tentativas de golpe envolvendo dados pessoais. Segundo levantamento divulgado pelo Cetic.br em 31 de agosto de 2026, 32% dos usuários de internet com 16 anos ou mais disseram que alguém tentou aplicar uma fraude usando suas informações. O percentual representa cerca de 45 milhões de pessoas no país.
O dado faz parte da terceira edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil, apresentada durante o 17º Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, em São Paulo. O estudo também identificou que 20% dos entrevistados afirmaram ter sido vítimas efetivas de um golpe que utilizou seus dados.
Aplicativos de mensagem concentram as abordagens
Entre os canais usados pelos criminosos, os aplicativos de mensagem foram citados em 84% das situações relatadas pelos participantes. O resultado ajuda a explicar por que fraudes digitais conseguem alcançar tanto usuários de bancos quanto famílias, trabalhadores remotos, estudantes e pequenos negócios: a abordagem ocorre em ambientes que já fazem parte da rotina e costumam reunir contatos pessoais, profissionais e comerciais.
De acordo com a Agência Brasil, a pesquisa foi realizada em dezembro de 2025 com 2,5 mil respondentes, por meio de entrevistas on-line. O universo considerado foi formado por usuários de internet com 16 anos ou mais em todo o Brasil. O levantamento buscou entender a percepção sobre privacidade, os riscos associados ao uso de dados e as práticas adotadas pelos internautas.
O painel de resultados do próprio Cetic.br detalha que 32% dos usuários disseram ter sofrido uma tentativa direta de golpe com seus dados pessoais. Outros 39% relataram que houve tentativa contra alguém da família usando informações de um parente. Na mesma tabela, 32% afirmaram que uma pessoa da família foi vítima de fraude desse tipo.
Por que a conexão doméstica também importa
Embora o golpe normalmente comece por uma mensagem, a fraude pode avançar depois que a vítima acessa um link, instala um aplicativo, fornece um código ou entra em uma página falsa. É nesse momento que a segurança da conexão, do aparelho e das contas passa a atuar em conjunto. Um roteador protegido não impede, sozinho, que uma pessoa seja convencida a entregar voluntariamente uma senha ou um dado sensível.
Por isso, a proteção precisa incluir medidas em diferentes pontos. Nas contas mais importantes, como e-mail, bancos e redes sociais, a autenticação em dois fatores reduz o risco de acesso indevido mesmo quando uma senha é descoberta. Também é recomendável evitar o uso de senhas repetidas, manter celulares e computadores atualizados e revisar periodicamente os dispositivos conectados às contas.
Na rede Wi-Fi de casa, a troca da senha padrão do roteador e a atualização do equipamento ajudam a reduzir exposições desnecessárias. Quando disponível, a criação de uma rede separada para visitantes e dispositivos inteligentes também limita o alcance de um eventual problema. Em redes públicas, o cuidado deve ser maior ao acessar serviços bancários ou inserir dados pessoais.
Fraudes também atingem familiares
Os números do Cetic.br mostram que o risco não está restrito à pessoa que recebe a mensagem. Tentativas direcionadas a familiares podem explorar informações compartilhadas em redes sociais, fotos, nomes de parentes, locais frequentados e outros detalhes usados para criar abordagens convincentes. A fraude pode se apresentar como um pedido urgente de dinheiro, uma falsa atualização cadastral ou um contato que imita alguém conhecido.
Uma forma de reduzir esse risco é confirmar pedidos sensíveis por outro canal antes de enviar valores, códigos ou documentos. Também é importante desconfiar de mensagens que pressionam por uma resposta imediata, prometem benefícios ou alegam problemas em contas sem apresentar uma forma segura de verificação. Instituições financeiras e plataformas digitais não devem ser acessadas por links recebidos de remetentes desconhecidos.
O levantamento de 2026 representa a primeira vez que o Cetic.br perguntou diretamente aos entrevistados se haviam identificado tentativas de golpe pela internet ou se tinham sido vítimas, segundo informação divulgada pela Agência Brasil. A distinção é relevante porque permite separar a exposição à tentativa de fraude da efetiva perda de controle sobre uma conta, um dispositivo ou um recurso financeiro.
Para o usuário, o principal alerta é que a proteção de dados não depende apenas do provedor de internet. Ela envolve a forma como informações são compartilhadas, a segurança do celular e do computador, a configuração do roteador e a capacidade de reconhecer uma abordagem suspeita antes de clicar, responder ou transferir dinheiro.
