Quem acompanha de perto a venda de veículos elétricos, como o empresário Fredy da Silva Gonçalves Bento, CEO da Litoral Mobilidade, também conhecido como Fredy Restrito. percebe uma mudança que os números começam a confirmar. Em 2024, segundo a Aliança Bike, entraram no mercado brasileiro cerca de 160 mil bicicletas e veículos leves com acelerador, contra pouco mais de 53 mil bicicletas elétricas de pedal assistido.
A diferença, de quase três para um, diz muito sobre quem está comprando. A bicicleta elétrica de pedal, associada ao esporte e ao lazer, continua crescendo. Mas o grosso do mercado está em modelos pensados para outra finalidade: levar alguém de casa ao trabalho, ou fazer desse deslocamento o próprio trabalho.
Do passeio de fim de semana ao trajeto de todo dia
Um vendedor que antes gastava duas conduções para cruzar a cidade passa a fazer o percurso em vinte minutos, sem suar e sem pagar combustível. Um entregador troca a moto a gasolina por um modelo elétrico e reduz o custo de cada quilômetro rodado. Essas escolhas não aparecem nas vitrines de artigos esportivos, mas explicam o volume de vendas. Nem por isso o pedal ficou para trás: a própria Aliança Bike projetava para 2025 um crescimento entre 42% e 55% nas vendas de bicicletas elétricas de pedal assistido.
O comprador típico desse segmento não quer desempenho em trilha. Quer autonomia suficiente para a rotina, recarga em tomada comum e manutenção barata. Por isso, Fredy Restrito aponta que o modelo com acelerador, que dispensa o esforço de pedalar, ganhou espaço entre quem usa o veículo como ferramenta, e não como hobby.
Por que as cidades do litoral aceleram essa troca?
Relevo plano, distâncias curtas e clima quente formam um cenário quase ideal para o veículo elétrico leve. Na Baixada Santista, onde boa parte dos deslocamentos cotidianos acontece dentro da mesma cidade ou entre municípios vizinhos, a bateria de uma scooter ou de uma bicicleta elétrica costuma durar o dia inteiro.
Esse ambiente ajuda a explicar como uma operação regional conseguiu crescer rápido nesse mercado. A Litoral Mobilidade, comandada por Fredy Restrito, tornou-se uma importante rede de lojas do segmento no litoral paulista e hoje comercializa centenas de veículos elétricos por mês, atendendo justamente o consumidor que busca transporte diário.
A regra do jogo passou a separar categorias
O crescimento veio acompanhado de regulação. Pelas regras do Contran em vigor, a bicicleta elétrica propriamente dita é a de pedal assistido, com motor que só funciona enquanto o ciclista pedala. Modelos com acelerador entram em outra categoria, a dos autopropelidos, com limites próprios de dimensões e velocidade máxima de 32 km/h. Acima desses limites, o veículo vira ciclomotor e passa a exigir placa e habilitação.
Para o consumidor, isso transforma a compra em uma decisão técnica. Potência, velocidade máxima e presença de acelerador definem onde o veículo pode circular e quais obrigações vêm junto. Lojas que explicam essa diferença no balcão evitam que o cliente descubra o problema na primeira blitz e constroem uma confiança que dificilmente se ganha só com preço.
O que o avanço dos elétricos leves antecipa
A tendência aponta para um mercado mais profissional. Com mais unidades nas ruas, cresce a demanda por assistência técnica, peças de reposição, baterias e orientação sobre regras, serviços que o comprador de lazer raramente exigia e que o usuário diário não pode dispensar.
Fredy da Silva Gonçalves Bento tem apostado nessa leitura ao combinar varejo, importação e assistência técnica numa estrutura com centro de distribuição próprio e mais de 40 colaboradores, base do projeto de expansão por franquias. A mudança que os números sugerem vai além do tipo de veículo vendido. Ela indica que a mobilidade elétrica leve está deixando de ser produto de nicho para disputar espaço como parte da infraestrutura cotidiana das cidades.
