O governo federal implementou uma medida que eleva o imposto de importação de mais de 1.200 produtos, incluindo máquinas, equipamentos industriais e itens de tecnologia, numa tentativa de reduzir a dependência de produtos estrangeiros e estimular a produção interna. A decisão, formalizada pela resolução Gecex nº 852, de 4 de fevereiro de 2026, entra em vigor ainda este mês e tem gerado debate sobre os impactos na indústria e no setor tecnológico. Este artigo analisa as implicações da medida, seus objetivos e os possíveis efeitos para empresas e economia.
O aumento das tarifas sobre produtos importados surge em um contexto de crescimento expressivo das importações de bens de capital e tecnologia. Em 2025, essas compras externas somaram cerca de US$ 75 bilhões, mostrando uma crescente dependência de insumos estrangeiros. Segundo estudos internos, mais de 45% das máquinas e equipamentos e mais de 50% dos bens de informática e telecomunicações consumidos no país são importados, níveis considerados elevados para uma economia de grande porte como a brasileira. O governo argumenta que essa recomposição tarifária ajuda a equilibrar os preços relativos entre produtos nacionais e importados, incentivando investimentos na indústria local.
A reação do setor de tecnologia foi imediata. Equipamentos como servidores, switches e roteadores tiveram suas alíquotas aumentadas, e especialistas alertam que mudanças nesse setor podem repercutir em toda a economia, já que a tecnologia da informação sustenta infraestrutura crítica para outros segmentos. Apesar das críticas, o governo sustenta que o efeito sobre a inflação deve ser limitado, uma vez que os produtos afetados são majoritariamente bens de produção e não itens de consumo direto.
Um ponto estratégico da medida é sua integração a uma política industrial mais ampla. O objetivo é estimular a produção doméstica de máquinas e equipamentos tecnológicos, alinhando-se aos programas de desenvolvimento industrial do país. Além disso, a decisão segue uma tendência global: países desenvolvidos e emergentes têm adotado tarifas seletivas para proteger setores estratégicos e corrigir desequilíbrios provocados por importações em larga escala ou práticas de dumping.
Apesar do aumento das tarifas, o governo manteve exceções importantes para produtos sem fabricação nacional, garantindo continuidade de investimentos críticos em infraestrutura, energia, mineração e petróleo. Instrumentos como ex-tarifário, regimes especiais de importação e mecanismos como Repetro, Recof e drawback permitem a redução ou eliminação do imposto para determinados equipamentos essenciais, equilibrando proteção à indústria nacional e viabilidade de projetos produtivos.
A mudança na estrutura tarifária também substitui alíquotas extremamente baixas, muitas vezes zeradas, por níveis mais concentrados próximos de 7%, 12,6% e 20%. Essa uniformização busca reduzir distorções que favoreciam fornecedores estrangeiros e aumentar a competitividade da indústria local. Especialistas apontam que setores intensivos em investimento, como agronegócio, infraestrutura e energia, sentirão impactos mais imediatos, mas de forma controlada devido aos mecanismos de exceção.
Analistas sugerem que a medida pode representar um passo importante para fortalecer a indústria nacional em longo prazo. Ao reduzir a vulnerabilidade a choques externos e à dependência de insumos importados, o país cria espaço para inovação tecnológica, geração de empregos qualificados e maior autonomia econômica. Por outro lado, é fundamental monitorar os efeitos sobre empresas que dependem fortemente de equipamentos importados, evitando que restrições excessivas comprometam a competitividade global.
A decisão também abre discussão sobre o equilíbrio entre proteção industrial e integração ao comércio internacional. Estratégias tarifárias bem calibradas podem servir como instrumento de desenvolvimento, mas requerem ajustes contínuos para não desestimular investimentos ou gerar pressões inflacionárias desnecessárias. O acompanhamento das exceções e a revisão periódica das alíquotas serão determinantes para o sucesso dessa política.
Em um cenário de transformação tecnológica e pressões globais, o aumento do imposto de importação é mais do que uma medida fiscal: é um sinal de que o país busca consolidar sua base produtiva e reduzir fragilidades estruturais. A implementação cuidadosa das novas tarifas, combinada com incentivos para inovação e capacitação industrial, pode fortalecer a economia nacional, promovendo um ambiente mais equilibrado entre produção local e comércio internacional.
