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Saúde

FDA libera nova tecnologia de IA para análise de mamografias e identificação de calcificação arterial

Diego Velázquez Por Diego Velázquez 17 de agosto de 2026
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Nova geração do cmAngio, da CureMetrix, usa inteligência artificial para detectar e quantificar calcificações arteriais mamárias em exames de rotina, acrescentando informações que podem ajudar médicos na avaliação da saúde cardiovascular feminina

Contents
O que é a calcificação arterial mamária?Inteligência artificial analisa o mesmo exameO que muda no cmAngio 2.0?Sem novo exame ou exposição adicional à radiaçãoDesempenho do algoritmoFDA confirma autorização da versão 2.0Tecnologia não substitui avaliação médicaInteligência artificial avança rapidamente na radiologiaTecnologia também possui presença regulatória no BrasilMamografia pode fornecer informações além do câncer de mamaFontes

A inteligência artificial acaba de ganhar mais espaço na análise de exames de imagem. A agência reguladora dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), concedeu autorização 510(k) ao cmAngio 2.0, nova geração do software desenvolvido pela CureMetrix para analisar mamografias e identificar calcificações arteriais mamárias, conhecidas pela sigla BAC. A decisão regulatória foi tomada em 30 de julho de 2026, e a empresa anunciou oficialmente a novidade nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026. (FDA Access Data)

O sistema não substitui a mamografia nem exige que a paciente realize um exame adicional. A proposta é utilizar as próprias imagens produzidas durante o rastreamento mamográfico convencional e aplicar algoritmos para identificar sinais de calcificação nas artérias da mama. A nova versão acrescenta recursos de quantificação das calcificações e contextualização de acordo com a idade, ampliando as informações disponibilizadas aos profissionais de saúde. (EIN Presswire)

A autorização chama atenção porque transforma um exame tradicionalmente associado à investigação do câncer de mama em uma potencial fonte adicional de informações relacionadas à saúde cardiovascular. Isso não significa que a mamografia passe a diagnosticar doenças cardíacas. O achado de calcificação arterial mamária pode, entretanto, fornecer um elemento adicional para que médicos avaliem se determinada paciente necessita de investigação cardiovascular complementar.

O que é a calcificação arterial mamária?

A calcificação arterial mamária corresponde à presença de depósitos de cálcio nas paredes das artérias existentes no tecido mamário. Essas calcificações podem aparecer incidentalmente nas imagens produzidas durante uma mamografia de rotina.

Elas são diferentes das calcificações que podem despertar suspeitas relacionadas ao câncer de mama. Por isso, sua interpretação depende do contexto clínico e da avaliação realizada pelos profissionais responsáveis pelo exame.

O interesse médico pelas calcificações arteriais mamárias aumentou nos últimos anos devido à possível associação entre sua presença e o risco cardiovascular. A própria CureMetrix apresenta o cmAngio como uma tecnologia capaz de aproveitar a mamografia já realizada para detectar e localizar BAC, permitindo que o resultado seja considerado pelos profissionais responsáveis pelo acompanhamento da paciente. (CureMetrix)

Essa possibilidade é especialmente interessante porque milhões de mulheres já realizam mamografias regularmente. Em vez de criar uma nova etapa de rastreamento, o software procura extrair informações adicionais das imagens que já fazem parte da rotina clínica.

Inteligência artificial analisa o mesmo exame

O cmAngio é classificado como um Software as a Medical Device, ou software como dispositivo médico. Na prática, a ferramenta utiliza inteligência artificial para analisar imagens de mamografia digital de campo completo e tomossíntese mamária digital.

O algoritmo procura padrões compatíveis com calcificação arterial mamária e apresenta essas informações ao profissional responsável pela interpretação.

A tecnologia já possuía versões anteriormente autorizadas pela FDA. A primeira autorização ocorreu em outubro de 2023, inicialmente para detecção e localização de calcificações arteriais mamárias em determinados sistemas de aquisição de imagens. Em abril de 2025, uma autorização adicional ampliou a compatibilidade da tecnologia. (CureMetrix)

Agora, a versão 2.0 representa uma evolução importante porque deixa de apenas indicar a presença das calcificações e passa a oferecer informações quantitativas e contextuais.

O que muda no cmAngio 2.0?

Entre as principais novidades está a quantificação da extensão das calcificações arteriais mamárias encontradas na imagem. Isso permite que o profissional tenha uma avaliação mais estruturada do achado em vez de receber somente uma indicação de presença ou ausência.

Outra novidade é o chamado percentil de BAC baseado na idade. O sistema compara os achados da paciente com uma biblioteca de referência da CureMetrix formada por mais de 170 mil estudos, permitindo contextualizar o resultado em relação a mulheres de idade semelhante. (EIN Presswire)

A plataforma também apresenta informações sobre a prevalência das calcificações de acordo com a idade. Dessa maneira, o médico pode interpretar o resultado considerando não apenas a existência do achado, mas também sua relação com uma população comparável.

É uma mudança importante na forma como sistemas de inteligência artificial médica estão sendo desenvolvidos. Em vez de simplesmente apontarem uma anormalidade, novas ferramentas procuram oferecer medidas e informações estruturadas capazes de auxiliar o profissional na interpretação clínica.

Sem novo exame ou exposição adicional à radiação

Uma das características mais importantes da tecnologia é justamente a utilização das imagens que já foram produzidas para a mamografia.

Segundo a empresa, os novos recursos do cmAngio 2.0 não exigem imagens adicionais, nova exposição à radiação, procedimentos extras ou outra consulta exclusivamente para que o algoritmo realize a análise. (EIN Presswire)

A ideia é fazer com que a inteligência artificial funcione como uma camada adicional dentro da infraestrutura existente.

A versão anterior da tecnologia já era apresentada pela empresa como uma forma de transformar a mamografia em um exame capaz de oferecer dois tipos de informação: o rastreamento mamográfico tradicional e a identificação de calcificação arterial mamária. (CureMetrix)

Isso também demonstra uma tendência crescente na medicina digital: utilizar algoritmos para extrair novos indicadores de exames que já são realizados rotineiramente.

Desempenho do algoritmo

De acordo com dados divulgados pela CureMetrix, o cmAngio apresentou valores de AUC entre 0,98 e 0,99 em testes de validação envolvendo diferentes modalidades de mamografia e densidades mamárias, em mulheres entre 40 e 90 anos. A AUC é uma medida estatística utilizada para avaliar a capacidade de um modelo de distinguir corretamente diferentes condições. Esses números são dados informados pela fabricante e precisam ser entendidos dentro das condições específicas de validação do produto. (EIN Presswire)

A empresa afirma ainda que os resultados são processados automaticamente em minutos.

O sistema foi desenvolvido para integração com visualizadores compatíveis com o padrão DICOM, amplamente utilizado para armazenamento e comunicação de imagens médicas. Isso é importante porque a adoção de novas tecnologias em hospitais depende não apenas da precisão do algoritmo, mas também da capacidade de integração aos sistemas que radiologistas já utilizam.

FDA confirma autorização da versão 2.0

A base oficial da FDA registra o produto como cmAngio V2.0, da CureMetrix, sob o número K260980. O pedido foi recebido em 25 de março de 2026 e recebeu decisão em 30 de julho de 2026, sendo considerado substancialmente equivalente dentro do processo regulatório 510(k). O dispositivo está enquadrado na área de radiologia como software automatizado de processamento de imagens radiológicas. (FDA Access Data)

A confirmação oficial é particularmente importante porque diferencia a autorização regulatória das informações promocionais divulgadas pela fabricante.

Embora a empresa tenha anunciado publicamente a liberação em 17 de agosto, portanto, o registro da FDA mostra que a decisão regulatória já havia sido tomada algumas semanas antes.

Tecnologia não substitui avaliação médica

Apesar do potencial da inteligência artificial, o sistema deve ser entendido como uma ferramenta de apoio aos profissionais, e não como substituto de médicos, radiologistas ou cardiologistas.

Encontrar calcificação arterial mamária não significa automaticamente diagnosticar uma doença cardiovascular. O histórico clínico da paciente, idade, pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo, antecedentes familiares e diversos outros fatores continuam sendo importantes para uma avaliação adequada.

A inteligência artificial pode ajudar a tornar determinados achados mais consistentes e facilmente identificáveis, mas decisões sobre exames adicionais, tratamentos ou encaminhamentos permanecem dependentes da avaliação clínica.

Essa distinção é essencial à medida que ferramentas médicas baseadas em IA começam a participar de etapas cada vez mais próximas do atendimento aos pacientes.

Inteligência artificial avança rapidamente na radiologia

A radiologia tornou-se uma das principais áreas de aplicação da inteligência artificial na medicina. Isso acontece porque exames como mamografias, tomografias, ressonâncias magnéticas e radiografias produzem enormes volumes de imagens digitais que podem ser analisadas por algoritmos especializados.

Esses sistemas podem ajudar a localizar alterações, priorizar exames potencialmente urgentes, realizar medições e organizar informações para o radiologista.

O cmAngio representa uma abordagem particularmente interessante porque procura identificar informações adicionais em um exame já existente.

Em vez de criar um novo procedimento exclusivamente para a inteligência artificial, o algoritmo trabalha sobre dados que fazem parte do fluxo tradicional da saúde.

Tecnologia também possui presença regulatória no Brasil

A plataforma cmAngio também possui histórico regulatório brasileiro. Segundo a documentação disponibilizada pela CureMetrix, a versão inicial recebeu notificação da Anvisa em março de 2024, enquanto uma atualização relacionada ao suporte ampliado de modalidades recebeu notificação em abril de 2026. (CureMetrix)

É importante observar que autorizações e versões podem variar de um país para outro. A liberação anunciada agora pela FDA refere-se especificamente ao cmAngio 2.0 nos Estados Unidos, e não significa automaticamente que todas as novas funcionalidades da versão 2.0 estejam autorizadas em outros mercados.

Mamografia pode fornecer informações além do câncer de mama

O desenvolvimento da tecnologia reforça uma mudança mais ampla na medicina: exames de imagem estão começando a ser tratados como grandes conjuntos de dados dos quais algoritmos podem extrair informações adicionais.

Uma mamografia possui muito mais informação visual do que aquela relacionada exclusivamente às alterações investigadas durante o rastreamento tradicional. Com algoritmos suficientemente validados, parte desses dados pode potencialmente ser utilizada para identificar outros sinais relevantes para a saúde.

Nesse cenário, o lançamento do cmAngio 2.0 representa um exemplo concreto de como a inteligência artificial pode ampliar o aproveitamento de exames já existentes.

A autorização também mostra que a próxima etapa da IA aplicada à saúde pode não depender apenas da criação de equipamentos completamente novos. Uma parcela importante da inovação poderá surgir justamente da capacidade de reinterpretar dados médicos que hospitais e clínicas já produzem diariamente, transformando exames tradicionais em fontes cada vez mais amplas de informações para prevenção e acompanhamento dos pacientes.

Fontes

FDA — registro oficial do cmAngio V2.0 (K260980)

CureMetrix — informações oficiais sobre o cmAngio

Comunicado sobre a autorização do cmAngio 2.0

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