O doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão e pós-graduado em Geriatria, observa com frequência que, entre os órgãos que mais acusam o impacto silencioso do envelhecimento, os rins ocupam um lugar de destaque que raramente recebe a atenção que merece fora dos consultórios médicos. Ele nota que idosos chegam às consultas com função renal já significativamente reduzida, sem nunca terem recebido orientação específica sobre como proteger os rins ao longo do envelhecimento. A doença renal crônica afeta uma parcela expressiva da população acima dos 60 anos e, quando identificada tardiamente, limita as opções terapêuticas disponíveis e compromete a qualidade de vida de forma substancial.
Como o envelhecimento afeta a função dos rins?
A partir dos 40 anos, os rins perdem progressivamente parte de sua capacidade funcional, processo que se acelera nas décadas seguintes e que é agravado pela presença de condições como diabetes, hipertensão e uso prolongado de determinados medicamentos. Estima-se que a taxa de filtração glomerular, principal indicador da função renal, reduza em média 1% ao ano a partir da meia-idade, o que significa que um idoso de 80 anos pode ter função renal equivalente à metade da que tinha aos 40, mesmo sem nenhuma doença renal específica diagnosticada.
Essa redução fisiológica da função renal tem implicações práticas importantes para o cuidado geriátrico. Medicamentos que são eliminados pelos rins precisam ter suas doses ajustadas para evitar acúmulo e toxicidade. Exames com contraste iodado, muito utilizados em diagnósticos por imagem, precisam ser indicados com cautela em idosos com função renal reduzida. Conforme aponta o doutor Yuri Silva Portela, monitorar regularmente a função renal por meio de exames simples como creatinina sérica e estimativa da taxa de filtração glomerular é uma medida preventiva de baixo custo e alto impacto que deveria fazer parte de toda avaliação geriátrica de rotina.

Quais são os fatores que aceleram o declínio renal no idoso?
Além do envelhecimento natural, diversos fatores aceleram a perda de função renal na terceira idade. O diabetes mal controlado é a principal causa de doença renal crônica no mundo, e sua alta prevalência entre idosos brasileiros torna a proteção renal uma prioridade geriátrica de primeira ordem. A hipertensão arterial não controlada agride progressivamente os vasos renais, comprometendo a filtração e acelerando o declínio funcional. O uso crônico e sem orientação médica de anti-inflamatórios não esteroidais, muito comum entre idosos com dor articular, é uma causa frequente e prevenível de lesão renal aguda e crônica.
O doutor Yuri Silva Portela ressalta que a desidratação, problema particularmente comum entre idosos que residem em regiões de clima quente como o sertão nordestino, é um fator agravante relevante que reduz o fluxo sanguíneo renal e predispõe a episódios de lesão renal aguda. Orientar os idosos sobre a importância da hidratação adequada é uma das intervenções educativas mais simples e eficazes que o Humaniza Sertão realiza em suas ações comunitárias.
Como proteger os rins do idoso no dia a dia?
A proteção renal no envelhecimento combina controle rigoroso das doenças de base, uso criterioso de medicamentos, hidratação adequada e monitoramento laboratorial regular. O controle da pressão arterial e da glicemia dentro das metas estabelecidas pelo geriatra é a medida com maior impacto comprovado sobre a progressão da doença renal crônica. A revisão periódica de todos os medicamentos em uso, com atenção especial àqueles com potencial nefrotóxico, é parte indissociável do acompanhamento geriátrico de qualquer idoso com função renal comprometida.
A alimentação também desempenha papel relevante na proteção renal. Em estágios mais avançados da doença renal crônica, restrições específicas de potássio, fósforo e proteína podem ser necessárias, sempre sob orientação de nutricionista com experiência em nefrologia. O doutor Yuri Silva Portela e a equipe do Humaniza Sertão integram essa orientação nutricional ao cuidado geriátrico oferecido nas comunidades do sertão cearense, demonstrando que proteger os rins é uma responsabilidade que começa muito antes de qualquer sintoma aparecer.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
