Ao circular pelos pavilhões da ROG.e 2024, realizada em setembro daquele ano, Paulo Roberto Gomes Fernandes notou que o ambiente do setor de petróleo e gás havia mudado de patamar. Mesmo antes do encerramento oficial da feira, o sentimento predominante entre empresários, executivos e fornecedores era de confiança renovada, algo que não se via com tanta intensidade desde os períodos de maior expansão da indústria.
A programação de abertura contribuiu de forma decisiva para esse clima. As palestras iniciais foram conduzidas com foco estratégico e alinhamento institucional, começando pelo presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), responsável direto pela organização do evento. A sequência de apresentações, sem falhas operacionais relevantes, criou uma base sólida para os debates seguintes e para a circulação de informações que alimentaram expectativas positivas ao longo dos dias da feira.
A leitura empresarial de quem acompanha o setor há décadas
Convidado a percorrer alguns estandes da feira, Paulo Roberto Gomes Fernandes compartilhou impressões baseadas em décadas de participação em eventos similares no Brasil e no exterior. Para ele, a diferença perceptível na ROG.e 2024 esteve menos nos discursos e mais na convergência entre anúncios, contratos e movimentos concretos do mercado.
Durante a visita, chamou atenção o volume de informações positivas divulgadas ao longo dos dias. Entre elas, a contratação anunciada pela Petrobrás envolvendo a empresa Constellation, com índice relevante de conteúdo local, além de debates realizados paralelamente em eventos institucionais, como os promovidos pela Firjan, que trataram da necessidade de adaptação de plataformas para ampliar a exportação de gás.
Outro aspecto destacado foi a presença de empresas lançando novos produtos, serviços e tecnologias, sinalizando disposição para investir mesmo após um período prolongado de incertezas. Paulo Roberto Gomes Fernandes elucida que houve também espaço para temas estruturais, como o armazenamento de energias renováveis, discutido em palestras técnicas que atraíram atenção não apenas de executivos experientes, mas também de jovens engenheiros, indicando uma renovação gradual do público profissional interessado no setor.
Conversas estratégicas nos estandes e sinais de novas sinergias
Ao longo do percurso, diversos estandes foram visitados. No da Galp, petroleira portuguesa com atuação relevante no Brasil, as conversas giraram em torno de oportunidades de integração entre mercados e experiências acumuladas em projetos internacionais. A presença da empresa reforçou a percepção de que o Brasil continuava no radar de grupos estrangeiros, especialmente aqueles com histórico de atuação em ambientes regulatórios complexos.
Paulo Roberto Gomes Fernandes evidencia que, no estande da Triunfo Logística, empresa reconhecida por sua atuação em cabotagem e movimentação portuária, o diálogo foi marcado por afinidades estratégicas. A troca de impressões indicou que bons ventos se aproximavam para o segmento logístico, especialmente diante da possibilidade de adoção de novas tecnologias em operações offshore e portuárias. Na ocasião, ficou evidente uma sinergia potencial com soluções técnicas desenvolvidas pela engenharia brasileira, sobretudo em áreas que exigem inovação operacional.
Outro ponto relevante da visita foi o estande da Tenaris, grupo global de produção de tubos. O encontro reforçou a complementaridade entre empresas que produzem tubulações e aquelas especializadas em sistemas de suportação e lançamento, evidenciando como diferentes elos da cadeia podem avançar de forma coordenada em um cenário de retomada.
Um balanço positivo e expectativas para os anos seguintes
O encerramento do percurso ocorreu no estande da OilEquip, empresa com atuação consolidada desde a década de 1980 em serviços e manutenção no setor de petróleo. Ali, as conversas finais sintetizaram o sentimento predominante da feira: a percepção de que o setor havia retomado sua capacidade de planejar, investir e projetar o futuro com maior segurança.
Ao final da visita, Paulo Roberto Gomes Fernandes avaliou a ROG.e 2024 como uma das edições mais bem-sucedidas dos últimos anos, comparável aos períodos de maior dinamismo da indústria. Para ele, o evento deixou claro que ainda havia espaço para crescimento, inovação e geração de oportunidades, desde que o ambiente institucional permanecesse minimamente previsível e aberto ao diálogo técnico.
O balanço geral foi o de uma feira marcada por reencontros, anúncios concretos e um nível de otimismo raro nos anos anteriores, sinalizando que o setor de petróleo e gás havia, ao menos naquele momento, reencontrado um caminho de expansão sustentável.
Autor: Altimann Brecht
